Estadão classifica desfile com referências a Lula como promoção eleitoral antecipada
- Ananda Moura

- há 4 horas
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19/02/2026 O jornal O Estado de S. Paulo avaliou, em editorial publicado nesta quinta-feira, 19, que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, extrapolou o caráter cultural do carnaval e assumiu contornos de promoção política antecipada. Para o diário, a apresentação no sambódromo configurou um ato típico de campanha eleitoral.

Na análise do jornal, a avaliação considera não apenas o conteúdo do enredo, mas também a participação direta do presidente no evento. O editorial aponta que Lula acompanhou o desfile de um camarote e, ao final, desceu à avenida para cumprimentar integrantes da escola, o que reforçaria a vinculação entre a apresentação e um movimento político. O texto também menciona a preparação da primeira-dama, Rosângela da Silva, para participar do desfile, interpretada como um gesto simbólico de associação à tentativa de reeleição.
O Estadão destacou ainda o uso de alegorias e encenações envolvendo adversários políticos do presidente. Entre os exemplos citados estão representações do ex-presidente Jair Bolsonaro de forma depreciativa e uma cena alusiva ao impeachment de Dilma Rousseff, na qual um personagem inspirado em Michel Temer aparecia se apropriando da faixa presidencial. Para o jornal, a desqualificação de opositores é característica própria de campanhas eleitorais.
O editorial também criticou alas que, segundo descreveu, ironizaram valores ligados à família tradicional e a símbolos religiosos. Uma das representações mencionadas trazia integrantes caracterizados como latas de conserva portando bíblias, o que o jornal interpretou como deboche direcionado a evangélicos.
Outro ponto ressaltado foi a transmissão ao vivo do desfile em rede nacional, que, na avaliação do Estadão, ampliou significativamente o alcance da mensagem e teria criado vantagem indevida no cenário político. O jornal defendeu que esse tipo de situação pode configurar desequilíbrio eleitoral e justificar a atuação da Justiça.
Outros veículos também publicaram análises críticas sobre o episódio. A Folha de S.Paulo e a Gazeta do Povo afirmaram que o desfile ultrapassou os limites da manifestação artística e se aproximou de uma ação de promoção política. A Folha observou que, embora o carnaval costume satirizar o poder, a escola optou por exaltar um político vivo, no exercício da Presidência e potencial candidato à reeleição, o que levantaria questionamentos jurídicos a serem avaliados pelas autoridades competentes.
Já a Gazeta do Povo classificou a apresentação como uma peça de propaganda voltada à valorização da trajetória de Lula e ao aquecimento de sua campanha eleitoral, citando a atuação de integrantes da escola diante das câmeras e a presença do presidente na avenida acompanhado do prefeito do Rio de Janeiro.
As análises foram publicadas nos editoriais de O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo.









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