Ministros de Lula cotados para as eleições concentram verbas em seus Estados de origem
- Ananda Moura

- há 16 minutos
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09/02/2026 Ministros do governo Lula que articulam candidaturas nas eleições de outubro intensificaram o envio de recursos federais e ampliaram agendas oficiais em seus redutos eleitorais. Levantamento aponta que titulares de pastas estratégicas direcionaram investimentos para Estados onde pretendem disputar cargos, movimento que ocorre às vésperas do prazo legal para desincompatibilização, em abril.

No Ministério do Esporte, comandado por André Fufuca, o Maranhão se tornou o principal destino dos recursos da pasta. Em 2025, o Estado recebeu R$ 170,3 milhões para obras de infraestrutura esportiva, como estádios e quadras, valor 144,7% superior ao registrado no ano anterior. Com esse volume, o Maranhão superou Estados mais populosos, como São Paulo e Rio de Janeiro. A pasta sustenta que os repasses seguem critérios técnicos e atendem a um déficit histórico na área.
À frente do Ministério da Agricultura, Carlos Fávaro direcionou R$ 132,9 milhões a prefeituras de Mato Grosso entre novembro e dezembro do ano passado, crescimento de 209,7% em relação ao mesmo período de 2024. Pré-candidato ao Senado, o ministro também ampliou a presença no Estado, com entregas de máquinas agrícolas e participação em eventos políticos, inclusive em municípios como Várzea Grande.
No Ministério da Educação, o Ceará aparece como principal beneficiário de convênios para construção de creches e escolas de tempo integral. Sob a gestão de Camilo Santana, municípios cearenses receberam R$ 154,2 milhões. O ministro deve deixar o cargo em abril e avalia atuar diretamente na campanha pela reeleição do governador Elmano de Freitas ou disputar o governo estadual.
Já no Ministério da Integração, Waldez Góes concentrou repasses no Amapá, Estado onde mantém sua base política e articula candidatura ao Senado. Dos R$ 71,8 milhões destinados por meio de convênios, R$ 45,9 milhões foram direcionados ao governo estadual, comandado por Clécio Luís. Em contraste, a prefeitura de Macapá, administrada por um adversário político, recebeu apenas um convênio no valor de R$ 955 mil. Góes tem divulgado as entregas de equipamentos nas redes sociais.
Especialistas em gestão pública alertam para o risco de desvio de finalidade no uso da máquina pública em período pré-eleitoral. Avaliações apontam que a concentração de recursos e agendas oficiais em redutos eleitorais pode gerar vantagem indevida a ministros que controlam pastas estratégicas e concorrem a cargos eletivos.
As informações constam em levantamento publicado pelo jornal O Globo.









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