Defesa afirma que governo italiano pode decidir extradição de Carla Zambelli sem aval judicial
- Ananda Moura

- há 9 horas
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06/02/2026 A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli avalia que o governo da Itália pode encerrar o impasse sobre o pedido de extradição sem a necessidade de uma decisão judicial definitiva. A informação foi apresentada pelo advogado Fabio Pagnozzi, em entrevista nesta sexta-feira, dia 6.

Segundo o advogado, a legislação italiana concede ao ministro da Justiça, Carlo Nordio, a prerrogativa de aceitar a extradição de forma direta, sem a obrigação de apresentar fundamentação técnica. De acordo com a defesa, existe também a possibilidade de uma manifestação política que beneficie Zambelli, já que Nordio integra o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.
O processo judicial segue paralisado na Itália. Uma nova audiência foi marcada para terça-feira, dia 10, após a Corte suspender o julgamento em razão de um pedido formal da defesa para substituição dos magistrados responsáveis pelo caso. Na próxima sessão, os juízes devem decidir se aceitam ou não a contestação. Somente após essa definição o processo poderá avançar.
Pagnozzi sustenta que o colegiado responsável pelo julgamento já teria formado entendimento desfavorável à ex-deputada desde o início da tramitação. Ele aponta tratamento desigual na análise de documentos apresentados pela defesa e pela Advocacia-Geral da União, o que, segundo ele, comprometeria a imparcialidade do processo.
Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça. Após a decisão, ela deixou o Brasil em maio e seguiu para a Itália, país do qual possui cidadania. Três dias depois da cassação determinada pela Corte, apresentou carta de renúncia à Câmara dos Deputados.
O Ministério da Justiça brasileiro informou às autoridades italianas que, em caso de extradição, a pena seria cumprida na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. A situação do sistema prisional brasileiro passou a integrar os principais argumentos da defesa contra a extradição.
De acordo com o advogado, foram apresentados documentos que relatam fiscalizações de direitos humanos realizadas na unidade prisional, com registros de irregularidades. A defesa sustenta que essas condições colocariam em risco a integridade física e psicológica da ex-deputada caso ela seja devolvida ao Brasil.
Desde o início do pedido de extradição, a Justiça italiana já suspendeu a análise do caso quatro vezes. A primeira ocorreu em novembro, em razão de uma greve geral de advogados em Roma. A segunda, no mês seguinte, foi motivada pela apresentação de novos documentos. A terceira suspensão aconteceu em 4 de dezembro, quando a Corte solicitou esclarecimentos ao governo brasileiro sobre o sistema carcerário. A quarta paralisação decorreu do pedido de substituição dos magistrados responsáveis pelo julgamento.
*As informações foram divulgadas pelo Jornal da Oeste.









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