Carlos Viana reage à PF e diz que CPMI tem autonomia para investigar caso Vorcaro
- Ananda Moura

- há 5 horas
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19/03/2026
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), criticou a posição da Polícia Federal (PF) sobre a reinserção de dados do celular do empresário Daniel Vorcaro nos sistemas da comissão. Em meio ao impasse, o parlamentar afirmou que não há hierarquia entre os órgãos de investigação.

“Não interessa ao Brasil que órgãos investigadores estejam em desacordo”, declarou. “A Polícia Federal fez um grande trabalho, mas não é superior à CPMI em absolutamente nada.”
Defesa da autonomia do Congresso
Viana destacou que a comissão tem prerrogativas constitucionais para conduzir investigações e requisitar documentos.
Segundo ele, a PF atua como órgão colaborador do Parlamento, mas não possui autoridade sobre a CPMI.
“A CPI tem a liberdade e a obrigação de investigar, pedir documentos e mantê-los sob sigilo”, afirmou. “Nosso objetivo é identificar os responsáveis e recuperar o dinheiro desviado dos aposentados.”
Divergência sobre dados
O embate ocorre após a Polícia Federal informar que a CPMI reinseriu, em ambiente do Senado, dados do celular de Vorcaro que haviam sido excluídos por determinação judicial.
De acordo com a corporação, os arquivos foram reintroduzidos após solicitação direta da presidência da CPMI à empresa responsável pelo aparelho, o que teria alterado a cadeia de custódia das provas. O caso foi comunicado ao ministro relator no Supremo Tribunal Federal (STF).
Versão da CPMI
Viana contestou a interpretação da PF e afirmou que a obtenção dos dados ocorreu de forma legal.
“Os dados foram retornados pela CPMI em uma decisão legítima de requisitar diretamente ao provedor”, disse. “Tenho o direito constitucional de solicitar documentos a qualquer órgão ou empresa.”
O senador também levantou questionamentos sobre a integridade do material anteriormente repassado pela Polícia Federal, mas afirmou que adotou medidas para garantir a segurança das informações.
“Coloquei todos os documentos em sala-cofre, para que o manuseio ocorra sem risco de vazamentos”, explicou.
De acordo com matéria da Revista Oeste, apesar das críticas, Viana afirmou que não pretende transformar o episódio em disputa institucional.
“Quando há decisão do Supremo, nós respeitamos. Não se trata de disputar com a Polícia Federal ou com o STF, mas de conduzir uma investigação eficaz”, concluiu.



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