Cantor Amado Batista e montadora BYD entram na Lista Suja do Trabalho Escravo
- Ananda Moura
- há 20 horas
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07/04/2026 O cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD estão entre os 169 novos nomes incluídos na atualização da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, divulgada nesta segunda-feira, 6 de abril, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O cadastro reúne pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas administrativamente por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão, após esgotadas as possibilidades de defesa em duas instâncias. Com a atualização, a lista passou a contabilizar 613 empregadores.
Criada em 2003, a relação é atualizada semestralmente e não impõe punições automáticas, mas serve como referência para empresas e instituições financeiras na avaliação de riscos, como concessão de crédito e celebração de contratos.
Autuações envolvendo Amado Batista ocorreram em Goiás
Segundo dados divulgados, o cantor foi autuado em duas fiscalizações realizadas em 2024, no estado de Goiás, em atividades relacionadas ao cultivo de milho. As operações ocorreram em uma propriedade rural e em outra área arrendada pelo artista.
Ao todo, 14 trabalhadores foram resgatados em condições consideradas análogas à escravidão. Em um dos casos, a infração identificada foi a de jornada exaustiva, com trabalho iniciado ainda de madrugada e prolongado até o período noturno.
A legislação trabalhista brasileira estabelece, por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), intervalo mínimo de 11 horas entre jornadas. O conceito de trabalho escravo contemporâneo também está previsto no artigo 149 do Código Penal Brasileiro, que inclui situações como jornada exaustiva, trabalho forçado, servidão por dívida e condições degradantes.
Segundo matéria do Repórter Brasil, até o momento, a assessoria do cantor não se manifestou sobre a inclusão na lista.
BYD foi responsabilizada após resgate de trabalhadores na Bahia
A inclusão da BYD ocorreu após fiscalização em obras da fábrica da empresa em Camaçari, onde foram resgatados inicialmente 163 trabalhadores chineses em dezembro de 2024. Com o avanço das investigações, o número total chegou a 224 trabalhadores.
Auditores fiscais apontaram jornadas de até dez horas diárias, seis dias por semana, com possibilidade de extensão, resultando em carga semanal entre 60 e 70 horas — acima do limite legal de 44 horas.
A fiscalização também identificou condições degradantes nos alojamentos, incluindo estrutura sanitária insuficiente e ausência de itens básicos. O órgão não acatou a alegação de que os trabalhadores eram vinculados a empresa terceirizada e considerou a montadora diretamente responsável pelas condições verificadas.
Em nota anterior, a BYD afirmou manter compromisso com os direitos humanos e com a legislação trabalhista brasileira.
O que é a Lista Suja do Trabalho Escravo
A Lista Suja é o cadastro oficial do governo federal que reúne empregadores flagrados mantendo pessoas em condições análogas à escravidão. A divulgação tem como objetivo dar transparência às decisões administrativas e estimular o cumprimento das normas trabalhistas.
Os nomes permanecem na relação por, no mínimo, dois anos, período em que os responsáveis devem cumprir as obrigações estabelecidas, como pagamento de multas e indenizações. O cadastro também é utilizado por bancos e grandes empresas como critério para restrição de crédito e contratos.
Fonte: Repórter Brasil.