Banco Master contratou familiares de desembargador em disputa por R$ 1,6 bilhão em precatórios
- Ananda Moura

- há 21 horas
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08/04/2026 O Banco Master contratou familiares do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em meio a uma tentativa de destravar cerca de R$ 1,6 bilhão em precatórios da União que estavam suspensos na Justiça.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a contratação envolveu a advogada Camilla Emerton Ramos, esposa do magistrado, e o advogado Gabriel Ramos, filho dele. Ambos passaram a atuar em processos relacionados aos interesses do banco.
Origem da disputa judicial
As ações têm origem em processos movidos por usinas do setor sucroalcooleiro que buscam indenizações bilionárias do governo federal. Entre 2021 e 2022, decisões da Justiça Federal em Brasília autorizaram o pagamento dos valores antes do trânsito em julgado, etapa em que ainda cabem recursos.
A Advocacia-Geral da União (AGU) contestou essas decisões, argumentando que os pagamentos poderiam violar o ordenamento jurídico e gerar prejuízo estimado em até R$ 14 bilhões aos cofres públicos.
Diante das suspeitas, a presidência do TRF-1 suspendeu os pagamentos em junho de 2022. Nos anos seguintes, o Banco Master passou a adquirir parte desses créditos e ingressou nos processos como interessado.
Atuação do CNJ e suspensão de processos
A controvérsia levou o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou a paralisação de 35 processos no TRF-1 e ordenou a revisão de casos semelhantes em outros tribunais.
Segundo o órgão, foram identificados e suspensos 4.525 precatórios considerados irregulares, que somam mais de R$ 20,5 bilhões.
O desembargador Newton Ramos informou que se declara impedido em processos que envolvem familiares. Em nota, os advogados afirmaram possuir qualificação técnica e experiência na área empresarial.
Cadeia de operações com precatórios
De acordo com as informações publicadas, os precatórios passaram por uma sequência de negociações entre fundos de investimento antes de chegar ao banco. Essa estrutura permitiu que os créditos fossem adquiridos por valores menores e registrados por valores maiores no balanço.
Segundo matéria da Revista Oeste, com a aproximação da liquidação do banco, em novembro de 2022, parte desses ativos foi transferida para empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, incluindo o Bluebank e o fundo RTS.
Uma das usinas envolvidas afirmou ter negociado os créditos com um fundo e não diretamente com o Banco Master, além de contestar judicialmente a transferência posterior dos valores.



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