Relatório interno aponta agravamento financeiro dos Correios e projeta déficit bilionário
- Ananda Moura

- há 8 horas
- 2 min de leitura
19/02/2026
Um relatório da Diretoria Econômico-Financeira dos Correios reconhece que a estatal entrou em um processo contínuo de prejuízos, marcado pela perda de clientes, queda de receitas e dificuldades crescentes de caixa. O documento indica que a deterioração da operação tem sido o principal fator por trás dos resultados negativos registrados nos últimos trimestres.

De acordo com a análise interna, a redução da qualidade operacional provocou a saída de clientes e comprometeu a geração de receitas, o que enfraqueceu a capacidade financeira da empresa para honrar compromissos. A diretora econômico-financeira, Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo, avaliou que esse cenário afetou diretamente as negociações com grandes contratantes, responsáveis por mais da metade do faturamento, tornando acordos mais frágeis e limitando as expectativas de resultado.
Até setembro de 2025, os Correios acumulavam R$ 3,7 bilhões em valores em atraso, incluindo pagamentos a fornecedores, empregados e tributos. O relatório aponta a escassez de caixa como o principal risco à sustentabilidade da estatal, ressaltando que o problema vai além de um desequilíbrio pontual e reflete limites estruturais do modelo atual diante das obrigações legais e da concorrência.
A dificuldade em recompor receitas também se refletiu nas entradas de caixa. Entre janeiro e setembro de 2025, houve uma redução de R$ 3,23 bilhões, queda de 17,6% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado de nove meses, as entradas somaram R$ 16,94 bilhões, abaixo dos R$ 18,37 bilhões registrados no ano anterior. As saídas, por outro lado, totalizaram R$ 16,68 bilhões, ante R$ 20,65 bilhões no mesmo intervalo de 2024.
Para enfrentar a situação, a empresa recorreu a empréstimos que totalizaram R$ 13,8 bilhões ao longo de 2025. O relatório observa, porém, que a maior parte desses recursos só entrou efetivamente no caixa no fim de dezembro, limitando o impacto imediato sobre a liquidez.
O documento também revisa as projeções de resultado. Para o fechamento de 2025, a estimativa é de prejuízo de R$ 5,8 bilhões, valor inferior ao déficit acumulado até setembro, que já alcançava R$ 6 bilhões. Para 2026, a diretoria prevê um agravamento do quadro, com rombo estimado em R$ 9,1 bilhões.
As informações constam em relatório interno dos Correios divulgado pelo portal G1.









Comentários