Possível classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA gera debate sobre impactos
- Ananda Moura

- há 3 horas
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11/03/2026 O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, avalia classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A informação foi divulgada por meio de comunicado do Departamento de Estado, que considera os grupos uma ameaça à segurança regional.

A eventual inclusão das facções na lista de organizações terroristas estrangeiras exige o cumprimento de três critérios principais: tratar-se de um grupo estrangeiro, possuir capacidade para realizar ações criminosas de grande impacto e representar ameaça à segurança dos cidadãos ou do território norte-americano.
A possibilidade da classificação é vista com preocupação por integrantes do governo brasileiro. O Palácio do Planalto avalia que a medida pode gerar implicações diplomáticas e ampliar o alcance de ações norte-americanas no combate ao crime organizado internacional.
Possíveis consequências da classificação
De acordo com matéria da Revista Istoé, caso o enquadramento seja confirmado, os grupos passariam a estar sujeitos a uma série de sanções previstas na legislação dos Estados Unidos. Entre elas estão bloqueio de ativos financeiros, restrições ao sistema bancário internacional e proibição de apoio material ou financeiro por parte de cidadãos e empresas norte-americanas.
Além disso, investigações ligadas às facções poderiam ganhar alcance internacional, com maior cooperação entre autoridades de diferentes países.
Debate entre especialistas
Especialistas em segurança e relações internacionais discutem a eficácia da medida. O professor Thiago Moreira de Souza Rodrigues, da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou à revista IstoÉ que, desde os ataques de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos passaram a adotar instrumentos legais mais amplos no combate a grupos classificados como terroristas.
Segundo ele, essas normas permitem ações como confisco de bens e detenções preventivas, o que poderia ampliar o alcance de investigações contra organizações criminosas internacionais. O pesquisador também avalia que a proposta pode ter motivações geopolíticas no contexto da política externa norte-americana.



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