Polícia indicia sócios de academia em São Paulo por morte de professora após intoxicação em piscina
- Ananda Moura

- há 8 horas
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12/02/2026 A Polícia Civil de São Paulo indiciou por homicídio os três sócios da academia C4 Gym, localizada no bairro São Lucas, na zona leste da capital. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, dia 11, no âmbito da investigação sobre a morte da professora Juliana Bassetto, de 27 anos, que passou mal durante uma aula de natação no último sábado, dia 7.

As apurações indicam que a vítima pode ter sido exposta a gases tóxicos formados a partir da combinação inadequada de produtos químicos utilizados na limpeza da piscina. Outras quatro pessoas que participavam da mesma atividade permanecem internadas.
Foram indiciados os empresários Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, proprietários da unidade. Eles prestaram depoimento à polícia nesta quarta-feira e, até então, não haviam se manifestado publicamente sobre o caso.
No relatório encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, aponta indícios de omissão de socorro e tentativa de dificultar a investigação. Segundo a polícia, mesmo após tomarem conhecimento da gravidade da situação, os sócios não teriam prestado assistência às vítimas e teriam adotado medidas para alterar o ambiente da academia.
Ainda conforme a investigação, enquanto a morte de Juliana era confirmada em um hospital da região do ABC Paulista, um dos sócios teria orientado um funcionário a retornar ao local para tentar dissipar os gases e modificar a cena, o que é tratado pela polícia como tentativa de descaracterização do ocorrido.
A limpeza da piscina era realizada por um funcionário sem formação técnica específica. Em depoimento, ele relatou que recebia orientações diretas dos proprietários sobre a mistura e a dosagem dos produtos químicos, repassadas por mensagens de celular.
A polícia aguarda a conclusão do laudo necroscópico, das perícias feitas na academia e das análises químicas da água e dos produtos utilizados para confirmar a causa da morte e das internações. A principal linha de investigação aponta para uma reação química tóxica provocada pela mistura de cloro com outro produto incompatível ou de marca diferente, ou ainda pelo uso excessivo da substância.
O relatório policial sustenta que houve uso inadequado de produtos químicos em quantidades elevadas, por pessoas sem habilitação técnica, com o objetivo de reduzir custos operacionais. Para os investigadores, os sócios assumiram o risco do resultado fatal ao dispensarem acompanhamento profissional especializado.
Paralelamente à investigação criminal, o Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para apurar a atuação da rede C4 Gym, que possui franquias no Estado. A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo investiga se unidades da rede funcionam sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, documento exigido para atestar condições de segurança.
As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.









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