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Mais verba não significou mais qualidade no ensino e Plano Nacional de Educação do MEC comprova isso

Gastos com educação aumentaram ao longo dos anos, mas qualidade da educação continua muito ruim. O documento de referência para o Plano Nacional de Educação, criado em conjunto com o MEC, comprova que governo quer doutrinar, não ensinar.


sala de aula vazia

Como meu amigo Deputado Federal Gustavo Gayer costuma dizer: “o lugar mais perigoso que você pode deixar seus filhos é em uma sala de aula.”


Vou apresentar algumas informações para que você possa formar sua própria opinião.


O Brasil teve expressivo aumento de recursos na Educação, tendo o gasto subido, de 2003 a 2017, de 4% para 6% do PIB - patamar percentual próximo ao de países desenvolvidos.


despesa em educação como porcentagem do PIB

O orçamento do MEC, por exemplo, saiu de 17 para 51 bilhões de reais (2003 a 2010), alcançando quase 140 bilhões, em 2017.


Porém, a tal pátria educadora, do enganoso slogan político, muito aumentou em gasto e pouco em qualidade. Diversos indicadores educacionais demonstram isso.

Dilma discursa com slogan pátria educadora


A taxa de analfabetismo, por exemplo, caiu de 11,7% para 7% (2003-2018). Mais preocupante ainda é constatar como o analfabetismo funcional ainda é elevado. Os alfabetizados em nível rudimentar e elementar, por exemplo, permaneceram em cerca de 55%, no período 2001-2018.

taxa de analfabetismo no Brasil de 2001 a 2018


Considerando que o gasto aumentou e que o mesmo grupo político permaneceu no Executivo, nessas 2 décadas, os resultados são decepcionantes. Outro dado preocupa: o nível de alfabetismo proficiente é de apenas 12% da população, segundo o INAF -Indicador de Alfabetismo Funcional.

índices de analfabetismo no Brasil de 2001 a 2018

Enquanto a média dos países da OCDE teve uma pontuação ao redor de 500 pontos no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), nas três áreas analisadas, o Brasil teve melhoras pouco expressivas, saindo de 396 para 413 pontos em leitura, 356 para 384 em matemática e 390 para 404, em Ciências.

dados PISA

Os resultados são mais dramáticos, se analisados no detalhe. Em 2018, apenas 2% dos brasileiros alcançaram os maiores níveis de proficiência (5 e 6) em alguma das áreas do teste, enquanto a média da OCDE foi de 16%, o que demonstra sérios déficits educacionais.

dados PISA 2018

Torna-se ainda mais preocupante constatar que aqueles que estão à frente das tratativas e trabalhos para a elaboração do novo PNE (Plano Nacional da Educação), parecem não ter ainda compreendido a gravidade da situação.


Ministro da Educação Camilo Santana e Presidente Lula

O documento de referência para a CONAE 2024, fórum que vai discutir e delinear prioridades a constarem no PNE, já foi possível perceber como os formuladores de políticas públicas parecem não compreender as prioridades para melhorar nossa educação.


A começar pelo título "Plano Nacional de Educação 2024-2034: política de Estado para garantir a educação como um direito humano com justiça social e desenvolvimento socioambiental sustentável".

Capa documento referência PNE

Veja a íntegra do documento aqui:


documento-referencia
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O título dessa campanha do PNE aborda justiça social e desenvolvimento socioambiental sustentável como eixos principais, enquanto a alfabetização precária de nossos alunos ainda permanece um gravíssimo problema a ser endereçado.


A alfabetização é a viga mestra essencial que permitirá aos estudantes acessarem o conhecimento, compreenderem minimamente o que é ministrado em sala de aula, nas avaliações, nos livros.


Quem não compreende o que lê e não sabe se expressar é como um cego ou um surdo tentando navegar de forma proficiente sem LIBRAS ou sem Braile e com uma mordaça nas suas mãos, incapaz de entender e de se expressar.


Logo, sem um compromisso altamente focado em se conseguir uma melhoria expressiva na alfabetização, como meta principal, os demais passos na melhoria de nossa educação se tornam de sucesso improvável senão impossível.


Indo além, no documento de referência da CONAE, percebe-se que há mais de mil e cem proposições e estratégias que foram traçadas num documento de 178 páginas, cuja extensão e quantidade de proposições só parecem demonstrar duas coisas:


  1. como os gestores da área de formulação da política educacionais parecem acreditar piamente em planejamentos extensos, verborrágicos e com detalhamento tamanho - numa visão quase socialista de planejamento coordenado e centralizado - que na prática tornam difíceis de serem implementados e aferidos objetivamente, pois a multiplicidade de objetivos tornam a administração deles mais conflituosa e até impossível de se executar; e

  2. como eles parecem perdidos e mais preocupados em slogans e com o politicamente correto, com proselitismo e doutrinação ideológica, do que de fato com educação como ferramenta estruturante para o futuro do país.


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