GPA pede recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 4,5 bilhões
- Ananda Moura

- há 20 horas
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10/03/2026 O Grupo Pão de Açúcar (GPA), controlador da rede de supermercados Pão de Açúcar, apresentou nesta terça-feira, 10, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. A medida foi tomada após a empresa obter o apoio de seus principais credores e faz parte de um plano para reorganizar sua estrutura financeira.

Segundo a companhia, o conselho de administração aprovou por unanimidade a proposta de reestruturação durante reunião realizada na sede do grupo, em São Paulo. O plano envolve exclusivamente dívidas sem garantia e não ligadas diretamente às operações da empresa.
A estratégia busca preservar o funcionamento das mais de 700 lojas do grupo, presentes em 11 estados e no Distrito Federal, além de manter o atendimento aos cerca de 20 milhões de clientes cadastrados em programas de fidelidade da rede. A empresa afirma que o objetivo é fortalecer o balanço financeiro e garantir a continuidade das atividades.
O pedido de recuperação ocorre em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo. Desde o início de 2026, as ações do GPA acumulam queda próxima de 20%, refletindo a preocupação de investidores com a baixa geração de caixa e o impacto dos juros elevados no custo da dívida.
Além do passivo de R$ 4,5 bilhões agora renegociado, a empresa também possui dívida tributária estimada em cerca de R$ 16 bilhões, fator que pressiona a rentabilidade da operação no Brasil.
Para conduzir o processo de reestruturação, o GPA contratou a consultoria Alvarez & Marsal, especializada em recuperação financeira de grandes empresas.
Segundo matéria da Revista Oeste, o cenário também envolve a situação do grupo francês Casino, que detém aproximadamente 22,5% do capital do GPA. A empresa estrangeira tenta vender sua participação há meses, mas ainda não encontrou compradores interessados.
Analistas avaliam que a renegociação dos R$ 4,5 bilhões representa um passo importante para aliviar a pressão financeira no curto prazo. No entanto, a recuperação do grupo dependerá de novos ajustes operacionais e de uma solução para a estrutura de capital da companhia.



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