Governo Lula registra gasto recorde com publicidade digital em 2025
- Ananda Moura

- 6 de jan.
- 2 min de leitura
06/01/2026 Os investimentos do governo federal em publicidade na internet alcançaram R$ 129,6 milhões em 2025, o maior valor já registrado desde o início da divulgação desse tipo de despesa. O montante é mais que o triplo do gasto realizado no ano anterior e foi executado pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom).

Dados apurados pelo portal Núcleo Jornalismo, divulgados nesta terça-feira (6), mostram que o volume aplicado em 2025 supera com folga os anos anteriores. Em 2024, os gastos somaram R$ 42 milhões, enquanto em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, chegaram a R$ 47 milhões.
Somados os três anos de gestão, o governo Lula já destinou R$ 219 milhões à publicidade digital. No governo Jair Bolsonaro, ao longo de quatro anos, o total gasto com anúncios na internet foi de R$ 93 milhões. Com isso, em menos tempo, a atual administração mais do que dobrou o valor desembolsado pela gestão anterior durante todo o mandato.
A série histórica utilizada pelo Núcleo Jornalismo considera apenas valores efetivamente liquidados por meio de agências de publicidade e reúne informações desde 2009. Procurada pela Gazeta do Povo, a Secom afirmou que a ampliação dos gastos segue critérios técnicos e reflete a mudança no comportamento da população, cada vez mais voltada ao ambiente digital para buscar informações.
Segundo a secretaria, o reforço nas redes sociais tem como objetivo ampliar o acesso da população a informações sobre políticas públicas, direitos e serviços oferecidos pelo governo. Desde 2017, os investimentos em “comunicação digital” passaram a ser detalhados separadamente, embora recursos já fossem destinados a esse meio antes disso. O levantamento exclui despesas com rádio, televisão, jornais e revistas impressas.
A maior parte dos recursos foi direcionada a grandes plataformas digitais, mas veículos tradicionais também aparecem entre os principais beneficiários. Os maiores repasses foram feitos para Google (R$ 39 milhões) e Meta (R$ 35,8 milhões), seguidos por Kwai (R$ 10,4 milhões), TikTok (R$ 4,7 milhões), Rede Globo (R$ 3,2 milhões), Record (R$ 3 milhões), Amazon (R$ 2,7 milhões), UOL (R$ 2,1 milhões), Editora Globo (R$ 1,5 milhão) e Warner Bros. Discovery (R$ 1,1 milhão).
De acordo com matéria da Revista Oeste, o aumento expressivo dos gastos ocorreu após a posse do publicitário Sidônio Palmeira no comando da Secom, em janeiro de 2025, substituindo Paulo Pimenta. A troca coincidiu com uma estratégia mais agressiva de presença do governo nas redes sociais. Em 2024, ainda sob a gestão anterior, os investimentos haviam recuado cerca de 20% em relação ao ano anterior, movimento que foi revertido de forma significativa em 2025, quando os desembolsos atingiram o maior patamar da série histórica.
Em declarações feitas em setembro, Palmeira afirmou que as grandes plataformas digitais são fundamentais para a comunicação governamental e para alcançar a população, justificando a concentração dos investimentos nesse segmento.









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