Facção venezuelana citada por Trump amplia atuação em território brasileiro
- Ananda Moura

- 6 de jan.
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06/01/2026 A facção criminosa Tren de Aragua, originária da Venezuela, já possui integrantes atuando em pelo menos seis estados brasileiros. O maior contingente foi identificado em Roraima, estado que faz fronteira com o país vizinho e que recebeu um grande número de migrantes venezuelanos nos últimos anos.

A expansão do grupo ganhou destaque após a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, realizada em Caracas na madrugada do último sábado, 3. Ambos foram levados sob escolta de militares dos Estados Unidos para o Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York.
Acusações internacionais e ligação com o crime organizado
De acordo com a Justiça norte-americana, Maduro teria comandado por mais de duas décadas uma organização criminosa incrustada na estrutura do Estado venezuelano. O processo em tramitação nos Estados Unidos aponta que instituições públicas, forças de segurança, portos, aeroportos e até canais diplomáticos teriam sido utilizados para facilitar o envio de grandes carregamentos de cocaína ao território americano. As penas previstas variam de, no mínimo, 20 anos de prisão até prisão perpétua.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo venezuelano teria exportado criminosos violentos para outros países, incluindo integrantes do Tren de Aragua. Segundo ele, esses grupos cometeram crimes brutais, como invasões de prédios residenciais, mutilações e ameaças contra moradores que buscavam ajuda policial. Trump declarou que essas ações não seriam mais toleradas.
Presença no Brasil e alianças com facções locais
Informações da Polícia Civil de Roraima indicam que membros do Tren de Aragua já atuam também em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nos estados de São Paulo e do Rio, os venezuelanos teriam firmado parcerias com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as principais facções criminosas do país.
A entrada do grupo no Brasil começou por volta de 2016, quando seus integrantes passaram a cruzar a fronteira misturados a fluxos migratórios. Segundo o delegado Wesley Costa Oliveira, da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas, a facção se estabeleceu de forma gradual, disputando áreas estratégicas e contribuindo para o aumento da violência em Boa Vista. Dados oficiais apontam que o número de homicídios na capital saltou de 90, em 2020, para 127 em 2021, período em que o grupo consolidou pontos de venda de drogas.
Com o controle territorial, o Tren de Aragua passou a fornecer armamento ao PCC e ao CV, além de atuar no transporte de cocaína proveniente da Colômbia, que atravessa a Venezuela antes de chegar ao Brasil, fortalecendo a conexão entre as organizações criminosas.
Exploração de mulheres e violência extrema
De acordo com matéria da Revista Oeste, além do tráfico de drogas e armas, a facção mantém um esquema estruturado de tráfico de mulheres. Segundo a Polícia Civil, as principais vítimas são venezuelanas em situação de vulnerabilidade. Elas são atraídas com promessas de melhores condições de vida no Brasil, mas acabam exploradas em casas de prostituição controladas pelo grupo, que cobra taxas e impõe dívidas.
Muitas das vítimas se tornam dependentes de drogas, o que agrava a situação. Conforme relatado pelo delegado, quando as dívidas não são pagas, algumas mulheres são assassinadas para servir de exemplo. No fim de 2024, a polícia localizou um cemitério clandestino em Boa Vista com dez corpos, sendo cinco de mulheres. Todas apresentavam sinais de extrema violência e desmembramento, segundo as investigações.









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