Escassez de diesel e alta dos fertilizantes elevam custos e preocupam o agronegócio
- Ananda Moura

- há 4 dias
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23/03/2026 O conflito no Oriente Médio já provoca reflexos diretos no agronegócio brasileiro, com dificuldades no abastecimento de diesel e aumento expressivo no preço de insumos. Produtores relatam que a combinação de custos mais altos e incertezas logísticas tem gerado preocupação em todo o setor, especialmente em plena safra.

No interior de São Paulo, agricultores que estão na fase de colheita da soja enfrentam restrições no fornecimento de combustível. Em alguns casos, postos que costumavam receber cerca de 30 mil litros de diesel por dia passaram a receber volumes significativamente menores, o que levou ao início de medidas de racionamento. Além disso, houve aumento relevante nos preços, com o litro do diesel S10 passando de cerca de 5,70 reais para aproximadamente 8 reais após o início das tensões internacionais.
Especialistas e representantes do setor avaliam que a escassez de combustível é apenas o primeiro sinal dos impactos econômicos do conflito. Há preocupação com a elevação dos custos do petróleo, do transporte e dos fertilizantes, além de possíveis obstáculos logísticos, como restrições em rotas comerciais, aumento no valor de seguros marítimos e incertezas sobre a disponibilidade de contêineres. Esses fatores podem comprometer a competitividade das exportações e reduzir as margens de produção.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) considera o momento delicado para o campo. Representantes da entidade destacam que o setor já enfrenta juros elevados, alto nível de endividamento e rentabilidade pressionada, e que a crise internacional tende a ampliar esse cenário de custos.
Na tentativa de reduzir os efeitos da alta do diesel, o governo federal anunciou medidas emergenciais, como a isenção de tributos federais sobre o combustível e a criação de um subsídio estimado em 10 bilhões de reais para produtores e importadores. Também houve reforço na fiscalização sobre distribuidoras, com o objetivo de evitar reajustes considerados abusivos. Mesmo assim, há dúvidas sobre a eficácia dessas ações, já que a evolução dos preços depende diretamente da duração e da intensidade do conflito.
O aumento dos custos também atinge a produção agrícola por meio dos fertilizantes. A ureia, insumo amplamente utilizado em culturas como milho e trigo, registrou forte valorização. Em algumas regiões, o preço da tonelada subiu de cerca de 3,2 mil reais na safra anterior para aproximadamente 5,2 mil reais atualmente, reflexo da dependência brasileira de importações desse produto.
A crise no abastecimento levou municípios a adotarem medidas excepcionais. No Rio Grande do Sul, cidades com forte dependência da agricultura decretaram situação de emergência para garantir o fornecimento de combustível e preservar o escoamento da produção. Em alguns casos, prefeituras passaram a priorizar o uso de diesel em serviços essenciais e reduzir temporariamente a utilização de maquinário público.
Entidades do setor também acionaram órgãos de defesa do consumidor após denúncias de aumento acelerado nos preços. Em determinados locais, equipes de fiscalização notificaram postos para esclarecer reajustes e possíveis irregularidades no fornecimento. Paralelamente, representantes do agronegócio discutem alternativas para reduzir custos, como o aumento da mistura de biocombustíveis no diesel.
Lideranças do setor avaliam que o campo enfrenta um cenário de pressão simultânea, com restrição no acesso ao combustível, encarecimento dos insumos e risco de paralisações logísticas. Mesmo diante dessas dificuldades, produtores seguem com as atividades, já que o calendário agrícola exige continuidade das operações para evitar perdas na produção.



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