Empresários articulam estratégia para adiar votação do fim da jornada 6x1
- Ananda Moura

- há 1 dia
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23/02/2026 Entidades empresariais e frentes parlamentares definiram uma estratégia para tentar postergar a votação do projeto que extingue a jornada de trabalho no modelo 6×1, com seis dias de trabalho e um de descanso. A articulação envolve diferentes frentes de atuação e tem como objetivo levar a análise do tema para depois das eleições, quando, na avaliação do setor, o apelo junto ao eleitorado tende a ser menor.

Paralelamente ao esforço para adiar a votação, empresários planejam produzir estudos técnicos, campanhas informativas e pesquisas de opinião com foco nos possíveis efeitos negativos da mudança. Entre as alternativas discutidas estão medidas como a desoneração da folha de pagamentos e a adoção de remuneração por hora trabalhada, modelo praticado em países como os Estados Unidos.
A proposta de garantir ao menos dois dias de descanso semanal é defendida pelo governo federal e integra a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encaminhou o projeto ao Congresso. O Planalto trabalha para acelerar a tramitação, inclusive com a possibilidade de votação em regime de urgência.
A principal aposta do setor empresarial é empurrar o debate para depois da eleição de outubro. No entanto, a avaliação política é de que será difícil impedir a votação ainda no primeiro semestre, diante da repercussão positiva da proposta entre os eleitores.
O presidente da Confederação Nacional dos Transportes, Vander Costa, afirmou que o tema exige mais tempo de discussão e defendeu cautela no processo legislativo. Para ele, o problema não está no debate em si, mas na possibilidade de uma votação acelerada com viés eleitoral. Em posicionamento semelhante, a Confederação Nacional da Indústria defendeu que o debate seja conduzido com base em evidências técnicas, desvinculado do calendário eleitoral.
Um fator que pode influenciar o ritmo da tramitação é a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta, de priorizar a Proposta de Emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton. Por exigir quórum qualificado e ter rito mais longo, a PEC tende a alongar o debate em relação a um projeto de lei ordinário.
A atuação empresarial começa pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, responsável por analisar a admissibilidade da proposta. Frentes parlamentares planejam apresentar mais de dez requerimentos de audiências públicas para estender a discussão. Caso avance, o tema seguirá para uma comissão especial, onde o mérito será analisado.
O presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho, avalia que a votação ainda no primeiro semestre é provável, mas defende a apresentação de alternativas ao texto original. Enquanto isso, associações empresariais elaboram estudos e campanhas para contestar os argumentos do governo e de sindicatos, apontando riscos como aumento de custos, estímulo à informalidade e impacto negativo sobre salários.
Um manifesto em elaboração reúne cerca de 90 entidades de diferentes setores e deve ser entregue a lideranças parlamentares no início de março, além de ser apresentado ao presidente da Câmara durante um seminário. No setor de bares e restaurantes, a Abrasel estima que a mudança pode elevar em cerca de 20% o custo para contratação de um funcionário adicional, com possível repasse de até 7% nos preços ao consumidor.
As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo.



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