Despesas da máquina pública sobem e atingem maior nível em nove anos no governo Lula
- Ananda Moura

- há 3 horas
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03/02/2026 As despesas administrativas do governo federal atingiram, em 2025, o maior valor registrado nos últimos nove anos, conforme dados do Tesouro Nacional ajustados pela inflação
Após uma trajetória de queda iniciada depois do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, os custos com o funcionamento da estrutura federal voltaram a crescer no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante os governos petistas anteriores, essas despesas se mantiveram acima de R$ 70 bilhões por ano, alcançando o pico de R$ 77,7 bilhões em 2015, último ano da gestão Dilma, já sob a transição para Michel Temer.

Com Temer, houve contenção. Nos dois últimos anos de seu governo, os gastos administrativos ficaram próximos de R$ 68 bilhões. A redução foi ainda mais significativa no governo Jair Bolsonaro, quando, em 2021, as despesas recuaram para R$ 57,7 bilhões.
Esse cenário mudou a partir de 2023. No início do atual governo, o custo da máquina pública somou R$ 63,2 bilhões. Em 2024, subiu para R$ 65,2 bilhões e, em 2025, avançou para R$ 72,7 bilhões, o que representa um aumento superior a 11% em relação ao ano anterior.
O que compõe essas despesas
Segundo informações do G1, os gastos administrativos englobam despesas com energia elétrica, água, telefonia, limpeza, vigilância, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, passagens, diárias, serviços bancários e apoio operacional.
O arcabouço fiscal limita o crescimento das despesas livres — categoria que inclui o custeio da máquina pública — a 2,5% ao ano, descontada a inflação. No entanto, as despesas obrigatórias, como salários, benefícios e pensões, vêm avançando acima desse teto, o que reduz o espaço para investimentos e outras ações discricionárias.
Segundo o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o governo prevê para 2026 uma margem de R$ 129,2 bilhões para gastos livres dos ministérios, valor que cobre tanto despesas administrativas quanto investimentos e programas setoriais.
Reflexos no orçamento
Como mais de R$ 70 bilhões desse montante são absorvidos pelos custos administrativos, sobra menos recursos para áreas estratégicas, como infraestrutura, defesa agropecuária, bolsas de pesquisa, emissão de passaportes, fiscalização ambiental, Farmácia Popular, universidades federais e agências reguladoras.
Para Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, o peso elevado do custeio compromete a capacidade de investimento do Estado. Ele avalia que o modelo atual revela sinais claros de fragilidade fiscal e aponta para um cenário pouco promissor dentro das regras do arcabouço.









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