Arrecadação recorde reacende debate sobre carga tributária e gastos públicos no governo Lula
- Ananda Moura

- há 9 horas
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18/03/2026
O aumento da arrecadação federal e das medidas tributárias adotadas nos últimos anos intensificou o debate sobre o peso dos impostos e o equilíbrio das contas públicas no Brasil durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dados da Receita Federal indicam que a arrecadação atingiu R$ 2,709 trilhões em 2024, o maior valor da série histórica iniciada em 1995. Em termos reais, o crescimento foi de 9,62% em relação ao ano anterior.
Carga tributária e medidas adotadas
Considerando União, Estados e municípios, a carga tributária chegou a 34,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, acima dos 31,2% registrados em 2022. O índice também supera a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que foi de 33,9% em 2023.
Entre as medidas adotadas pelo governo para elevar a arrecadação estão mudanças em tributos como PIS/Cofins sobre combustíveis, Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e tributação de fundos exclusivos, além da revisão de benefícios fiscais.
Segundo o governo, o aumento da arrecadação está associado ao crescimento econômico e a ajustes voltados à chamada justiça fiscal, com foco na tributação de rendas mais altas e na correção de distorções.
Despesas e resultado fiscal
De acordo com reportagem do Conexão Política, apesar da arrecadação recorde, as despesas públicas também cresceram. Os gastos do governo federal atingiram 32,2% do PIB em 2024, totalizando cerca de R$ 3,78 trilhões.
As contas públicas registraram um déficit primário de R$ 43 bilhões, equivalente a 0,36% do PIB. Considerando exclusões autorizadas, como despesas com desastres naturais, o resultado foi ajustado para R$ 11 bilhões negativos.
Dívida pública e avaliação de economistas
A dívida bruta do governo geral alcançou 77,5% do PIB, com aumento de 5,8 pontos percentuais desde o início do atual mandato.
Economistas divergem sobre o cenário. Parte dos analistas avalia que a combinação de alta arrecadação e crescimento das despesas pode pressionar o equilíbrio fiscal no médio prazo. Outros destacam que o desempenho da arrecadação e a adoção de medidas tributárias buscam garantir sustentabilidade das contas públicas.
O tema deve continuar no centro do debate econômico, especialmente diante das metas fiscais e das discussões sobre controle de gastos e carga tributária no país.



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