Pressão de Lula sobre Petrobras aumenta tensão após disparada do preço do gás
- Ananda Moura

- há 2 dias
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07/04/2026 A Petrobras afirmou que o aumento no preço do gás de cozinha está relacionado à ampliação das margens de lucro das distribuidoras, e não à sua política de preços ou ao modelo de leilões. A declaração foi feita em carta enviada à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Ministério de Minas e Energia (MME).

No documento, a estatal defende que o encarecimento do gás liquefeito de petróleo (GLP) decorre principalmente do comportamento das empresas responsáveis pela distribuição e revenda do produto ao consumidor final.
Petrobras aponta crescimento das margens das distribuidoras
Com base em estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Petrobras informou que, entre 2019 e 2023, as distribuidoras tiveram aumento de custos semelhante à inflação, mas registraram crescimento muito maior nas margens de lucro.
Segundo os dados citados pela empresa:
A margem líquida das distribuidoras cresceu 188% em termos percentuais;
Em valores absolutos, subiu 243%, passando de R$ 197 por tonelada em 2019 para R$ 675 por tonelada em 2023;
No mesmo período, a inflação acumulada foi de 48%.
A estatal também afirmou que as margens das distribuidoras brasileiras ficaram 34% acima da média internacional em 2023.
Distribuidoras contestam modelo de leilões
O setor de distribuição, representado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), criticou o modelo de leilões adotado pela Petrobras.
Segundo a entidade, o sistema pode elevar artificialmente os preços ao oferecer volumes considerados essenciais ao abastecimento. As empresas defendem que o fornecimento deveria ocorrer por contratos regulados, sem disputa que gere ágio.
O tema está sob análise da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Leilão com ágio elevado intensificou disputa
Segundo reportagem da Folha, a controvérsia ganhou força após um leilão realizado em 31 de março, no qual a Petrobras vendeu cerca de 70 mil toneladas de GLP, equivalente a aproximadamente 12% do consumo mensal, com ágio que chegou a 117%.
O resultado levou o presidente Lula a afirmar que o governo pretende revisar o processo, argumentando que o aumento do preço não deve ser repassado à população de baixa renda.
O episódio ocorre em um cenário de pressão internacional sobre os preços de energia. Dados da ANP indicam que o custo do GLP importado subiu cerca de 60% após o início da guerra no Oriente Médio. Como o Brasil depende de importações para aproximadamente 20% do consumo, essa alta tem impacto direto na formação do preço final.
Mudança na diretoria da Petrobras
Em meio à controvérsia, o Conselho de Administração da Petrobras decidiu pelo desligamento do diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Cláudio Schlosser, responsável pelas áreas de vendas e formação de preços de combustíveis.
A estatal informou que está reavaliando seus procedimentos internos relacionados ao leilão realizado no fim de março.



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