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  • Ananda Moura

Pós-doutora destaca imposição de métodos e falta de pluralidade pedagógica em debate sobre a Conae

Na audiência pública para debater o resultado da Conae ocorrida no dia 18 de março, na Câmara Legislativa, a professora e pós-doutora em educação, Inez Augusto Borges, falou sobre a importância de compreender a história da alfabetização e da educação ao longo dos séculos. Como pesquisadora, Inez tem estudado a história da alfabetização dos últimos 500 anos.

Pós-doutora destaca imposição de métodos e falta de pluralidade pedagógica em debate sobre a Conae
Foto: Jeremias Alves
"Há 200 anos, foi criada a pedagogia científica como se nada existisse antes disso e as pessoas eram educadas, eram letradas. Nós tínhamos eruditos formados em casa. Benjamin Franklin teve dois anos de escolarização e se tornou um grande cientista, foi um estadista, escreveu parte da Constituição Americana e ele não é exceção", explicou a doutora.

Inez Augusto questionou parte do documento base do Conae, que diz que a alfabetização deve ser exclusivamente discursiva e do letramento: "eu gostaria de saber qual é o pós-doutor em educação que sabe explicar detalhadamente o que é perspectiva discursiva e do letramento". A doutora manifestou preocupação com a imposição de um único método de alfabetização.


"No Rio Grande do Norte, eu encontrei uma professora que alfabetizou dez crianças autistas que alfabetizaram os seus pais, usando o método correto. Essa professora está sendo perseguida. Essas famílias podem ser perseguidas e perder a tutela dos seus filhos, se documentos como esse são aprovados. Nós precisamos de pluralidade pedagógica e não imposição de um método e de uma visão de mundo", alegou a doutora Inez.

Pós-doutora destaca imposição de métodos e falta de pluralidade pedagógica em debate sobre a Conae
Abertura da audiência pública de iniciativa do Deputado Thiago Manzoni

A doutora disse que todo o documento resultado da Conae está repleto de absurdos e que esta é uma pauta internacional. Segundo Inez, há um documento da Unesco que considera a alfabetização das crianças um risco.


"Há um documento de 2005 da Unesco sobre os países do Mercosul em relação à educação infantil que as crianças não devem ser alfabetizadas. O texto diz que a ideia de alfabetização é uma ideia das famílias e de um setor da iniciativa privada. Mas, do outro lado, eles chamam de respeito aos tempos e modos, que contrapõem ao ensino de conteúdo da educação infantil", relevou.

Ao final de sua intervenção, Inez Augusto Borges ressaltou a importância da pluralidade de concepções pedagógicas e a necessidade de respeitar os direitos das famílias e das crianças no âmbito educacional, conforme previsto na Constituição.



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