Governo Lula exonera secretário após repercussão de caso envolvendo a BYD
- Ananda Moura

- há 12 horas
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14/04/2026 O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a exoneração de Luiz Felipe Brandão de Mello do cargo de secretário nacional de Inspeção do Trabalho. A dispensa foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (13).

A saída ocorreu poucos dias após a BYD ter sido incluída na chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro mantido pelo governo federal para registrar empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Inclusão e retirada da BYD da lista
A montadora havia sido inserida no cadastro em 6 de abril, após fiscalização em sua unidade em Camaçari. No entanto, dois dias depois, a empresa conseguiu uma decisão liminar na Justiça do Trabalho e foi retirada da lista.
O episódio ganhou repercussão internacional. O Ministério das Relações Exteriores da China manifestou expectativa de que empresas do país cumpram a legislação local.
Entidades apontam possível interferência
A exoneração gerou reação de entidades ligadas à fiscalização trabalhista. A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Anafitra) divulgou nota de repúdio, relacionando a saída do secretário ao caso envolvendo a montadora.
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) também se manifestou, agradecendo ao ex-secretário pelo apoio às demandas da categoria durante sua gestão.
Fiscalização identificou irregularidades trabalhistas
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), a inclusão da empresa na lista teve origem no resgate de 220 trabalhadores chineses, em dezembro de 2024, durante obras relacionadas à fábrica da montadora.
Entre as irregularidades apontadas pelas autoridades estavam:
alojamentos considerados inadequados
condições sanitárias insuficientes
retenção de passaportes
descontos salariais considerados indevidos
pagamento parcial em moeda estrangeira
O que é a “lista suja” do trabalho escravo
Segundo informações do Gazeta Brasil, o cadastro oficial de empregadores flagrados com trabalhadores em condições análogas à escravidão é atualizado periodicamente pelo governo federal. A inclusão ocorre após processo administrativo que garante direito de defesa aos envolvidos.
Antes da exclusão da BYD, a lista contava com 613 empregadores registrados.



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