Famílias comprometem 29% da renda com dívidas e atingem maior nível em 20 anos
- Ananda Moura

- há 9 horas
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23/03/2026 O comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas alcançou o patamar mais alto das últimas duas décadas, acendendo um sinal de alerta para instituições financeiras, comerciantes e autoridades públicas, especialmente em um ano marcado por disputas eleitorais.

Dados do Banco Central mostram que, desde outubro do ano passado, os brasileiros passaram a destinar, em média, 29% da renda mensal ao pagamento de compromissos financeiros, o maior índice registrado em 20 anos. Desse total, 10,38% correspondem a juros, enquanto 18,81% são utilizados para quitar o valor principal das dívidas.
O aumento do endividamento também foi acompanhado pela elevação da inadimplência. Entre o fim do ano passado e janeiro deste ano, 6,9% dos consumidores ficaram com pagamentos em atraso, percentual superior aos 5,6% registrados no mesmo período do ano anterior. O impacto é mais intenso entre famílias de menor renda, que recorrem com mais frequência a modalidades de crédito com taxas elevadas.
Entre as principais fontes de atraso, o cartão de crédito rotativo lidera com 63,5% dos casos em janeiro. Na sequência aparecem o cheque especial, com 16,5%, e o cartão parcelado, com 13%. No intervalo de janeiro de 2025 a janeiro deste ano, as operações de crédito rotativo cresceram 31,2%, enquanto o crédito parcelado avançou 18,3% e o uso do cheque especial aumentou 13,8%.
Para limitar o aumento das dívidas, o Banco Central determinou que, no caso do cartão de crédito, a soma de juros e encargos não pode ultrapassar o equivalente a 100% do valor original devido. Na prática, isso significa que uma dívida inicial de 100 reais não pode superar 200 reais após a aplicação desses custos.



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