Ex-marido de Maria da Penha e outros três viram réus por campanha de ataques contra ativista
- Ananda Moura

- há 19 horas
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10/03/2026 A Justiça aceitou nesta segunda-feira, 9, uma denúncia do Ministério Público do Ceará contra quatro pessoas acusadas de participar de uma campanha de ataques contra a ativista Maria da Penha Fernandes, cuja história inspirou a lei de combate à violência doméstica que leva seu nome.

Entre os denunciados estão o ex-marido da ativista, Marco Antônio Heredia Viveiros; o influenciador digital Alexandre Gonçalves de Paiva; o produtor do documentário A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha, Marcus Vinícius Mantovanelli; e o editor e apresentador do filme, Henrique Barros Lesina Zingano. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos acusados.
De acordo com o Ministério Público, os denunciados teriam atuado de forma organizada para atacar a honra da ativista e tentar desacreditar a lei que leva seu nome. A investigação aponta que a campanha incluiu a divulgação de conteúdos ofensivos, notícias falsas e um suposto laudo de exame de corpo de delito adulterado para sustentar a inocência de Heredia, que já foi condenado por tentativa de homicídio contra Maria da Penha.
Segundo os promotores, as ações configuram crimes de intimidação sistemática virtual, conhecida como cyberbullying, e perseguição, também chamada de stalking ou cyberstalking. O Ministério Público afirma ainda que a campanha ultrapassou o ambiente digital.
A denúncia aponta que Alexandre Paiva chegou a ir até a antiga residência de Maria da Penha, em Fortaleza, onde gravou vídeos e divulgou o conteúdo nas redes sociais. Para o MP, a atitude agravou a situação por envolver perseguição direta à vítima.
O caso tramita na 9ª Vara Criminal de Fortaleza. Alexandre Paiva responde por intimidação sistemática e perseguição, com agravantes como motivo torpe e violência contra mulher com mais de 60 anos.
Já Marco Antônio Heredia foi denunciado por falsificação de documento público. Mantovanelli e Zingano respondem por uso de documento falso, após utilizarem um laudo adulterado no documentário sobre o caso.
Segundo o Ministério Público, as publicações nas redes sociais sugeriam que Maria da Penha teria mentido sobre a tentativa de homicídio e que a narrativa que deu origem à lei seria fraudulenta. Para os promotores, as ações causaram perturbação à tranquilidade e à integridade psicológica da ativista.
As informações são do Estadão Conteúdo.



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