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  • Thiago Manzoni

De quem é o dinheiro? Com quem é gasto? Um pouco de economia

Segundo Harry Browne, autor do livro “Por que o governo não funciona?”, de todos os passos que foram dados rumo ao caminho da servidão, o pior foi permitir que o estado educasse nossos filhos, seja diretamente por meio de escolas públicas, seja indiretamente por meio de escolas privadas reguladas integralmente pelo Estado (Ministério da Educação).



O Tamanho do Estado diz respeito ao tamanho do aparato governamental dentro da Economia, da produção e redistribuição de riquezas da sociedade, e é uma peça importante na liberdade econômica. Quanto maior o peso do Estado na economia, menos recursos sobram para serem investidos pela iniciativa privada que, por excelência, é mais eficiente no uso dos recursos. Isso prejudica as perspectivas de desenvolvimento econômico, sobretudo em economias de baixa renda per capita, cujos recursos já são bastante escassos, como no Brasil. A questão da eficiência do gasto e o porquê de um Estado grande prejudicar o bom uso dos recursos é facilmente compreendida pelo exemplo anedótico dado pelo economista americano, prêmio Nobel, Milton Friedman. Segundo ele, existem quatro formas possíveis de se gastar o dinheiro que variam de acordo com quem decide o gasto e de quem é o recurso utilizado:

Com quem é gasto

De quem é o dinheiro

Você

Outra pessoa

Seu

CASO 1

CASO 2

De outra pessoa

CASO 3

CASO 4


Caso 1 – Quando gastamos nosso próprio dinheiro com nós mesmos. Quando fazemos compras em um supermercado, por exemplo, temos um forte incentivo para economizar e obter o máximo de valor possível para cada real gasto. Sempre nos esforçamos em fazê-lo genuinamente da melhor forma possível, afinal, esse dinheiro é o fruto do nosso trabalho, dos nossos próprios esforços. Assim, tendemos, na maioria das vezes, a procurar a melhor relação custo-benefício na hora de comprar qualquer produto ou serviço, evitando ao máximo desperdícios no uso dos recursos.


Caso 2 – Quando gastamos o nosso dinheiro com outra pessoa, como comprando um presente de aniversário ou natal para alguém, há também incentivos para economizar, mas não o mesmo grau do caso 1. Você vai querer comprar algo que o destinatário goste, contanto que isso também não requeira muito esforço ou tempo seu para tomar essa decisão de gasto. Neste caso, tendemos a calcular o valor do presente em função da importância e do merecimento da pessoa destinatária, bem como do quanto efetivamente conhecemos dos gostos dela, algo que é uma informação imperfeita, pois ela (a destinatária) sempre saberá mais do que nós e a depender do caso podemos não saber praticamente nada, o que pode prejudicar seriamente a efetividade do gasto.

Caso 3 – Quando gastamos o dinheiro de outra(s) pessoa(s) conosco. Um bom exemplo é imaginar alguém nos oferecendo um almoço no restaurante que escolhermos. Com razoável certeza, tendemos a escolher um restaurante melhor e mais caro do que aquele que optaríamos num dia qualquer, afinal, não seríamos nós que pagaríamos a conta. Logo, o incentivo é maximizar o benefício (e não o custo x benefício), o que acaba levando, no mais das vezes, a um fatal aumento no custo.

Caso 4 – Quando gastamos o dinheiro de terceiros com outra(s) pessoa(s). Como exemplo, se alguém nos desse um dinheiro para comprar um presente para uma terceira pessoa. Neste caso, os incentivos que teríamos para melhor utilizar os recursos, expostos nos casos 1 e 2, praticamente desaparecem, afinal de contas, você não suportará nenhum ônus e os benefícios serão auferidos por outras pessoas, ou seja, a preocupação com a satisfação delas e com os custos diminuem drasticamente. Ou, ainda, podemos citar o exemplo do Estado, gastando o dinheiro de terceiros com terceiros. A ineficiência, portanto, não ocorre por mero acaso. Incentivos importam.


Com isso, faz sentido que o Estado reduza sua esfera de ação, seja como “Estado empresário” (via empresas estatais ineficientes), liberando recursos para que os cidadãos utilizem melhor seus recursos de acordo com as suas reais necessidades e, assim, de maneira mais judiciosa, mais eficiente. Como já dizia Adam Smith, não é função do Estado fazer melhor ou pior aquilo que outros podem fazer, mas apenas aquilo que ninguém mais pode fazer. E a lógica por trás disso está nessa questão do melhor uso dos recursos pela inciativa privada. Um Estado mais enxuto, ou um Estado Necessário, que busca executar da melhor forma os serviços públicos mais essenciais (educação, saúde, segurança pública, administração da justiça) e pouco intervém no setor produtivo, acaba concedendo mais espaço e recursos à iniciativa privada, induzindo, desse modo, maior eficiência da Economia como um todo, o que se traduz em geração de empregos, maior renda per capita e melhor nível de vida para a sociedade.

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